Só quero o que for meu: o caco, o nicho,/lá onde fura a noite a estrela-bicho. ("Culpe o vento".)

terça-feira, 2 de maio de 2017

A ROSA RE-OBTIDA

A escrita de Maria da Conceição Paranhos pode ser compreendida em um contexto maior de sobrevivência da lírica na poesia brasileira, não exatamente por rejeição às vanguardas, mas por assimilação daquilo que nelas lhe interessava, sem perder o caráter discursivo. Seu caso, aliás, é dos mais emblemáticos, pois o segundo livro da autora,ABC re-obtido, de 1974, dialoga francamente com o Concretismo e com a forma popular do ABC, espécie de cordel em que cada letra do alfabeto inicia um poema. Se pensarmos, por exemplo, que um poeta como Ferreira Gullar, depois do Neoconcretismo, entregara-se ao panfleto no final da década anterior, com seus Romances de cordel, o ABC Re-obtido cresce em importância, pois sinaliza uma tendência. 

Tarda muito uma poesia reunida de Conceição Paranhos, para que se possa ter a exata dimensão de sua trajetória, que os textos de apresentação do recém-lançado Poemas da rosa evocam – infelizmente, com certa exorbitância e generalidades indemonstráveis. A recepção fica ainda mais problemática tendo em vista que a única antologia individual da autora, Delírio do ver, de 2002, não é clara nos critérios de seleção, dispensa a ordem cronológica das obras e exclui, sem maiores explicações, o ABC Re-obtido. 

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

A "AURORA" PÓSTUMA DE LÊDO IVO (PARTE II)

“O velho Lêdo Ivo, como certo personagem de Bergman, há muito jogava calmamente seu xadrez com a morte. O cenário, porém, não era em preto e branco, e o nórdico mar de fundo de O sétimo selo era o mar gaio de Alagoas”

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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

A AURORA PÓSTUMA DE LÊDO IVO (PARTE I)

"A Aurora de Lêdo Ivo, como em paralelo do título sobre que falaremos em um próximo artigo, há de ser póstuma: 'Estou vindo da sombra,/ do mistério da noite,/ escuto jubiloso/ a voz inumerável/ da promessa do dia'. É do outro lado do Atlântico que nos chega sua voz solar, da Espanha onde faleceu e onde seu nome conta com a simpatia de jovens poetas e um tradutor fiel – Martín López-Vega; ali recebeu homenagens em vida, e sua memória ainda as recebe. Por imposição contratual e desde o volume Mormaço, o último publicado pelo autor, os poucos inéditos saem em espanhol antes do português – e isto a ponto de Aurora jogar aqui e ali com a semelhança léxica entre as duas línguas, como veremos em breve. Que os exílios se façam pródigos na poesia é uma das desforras da palavra poética."

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