Só quero o que for meu: o caco, o nicho,/lá onde fura a noite a estrela-bicho. ("Culpe o vento".)

sábado, 27 de agosto de 2016

CARTA A CARPEAUX NUM BICO DE TUIM

Otto, vai por mim:
pena aqui não paga
se não for de tuim.
Certo é que era o Braga

em Copa, ou na vaga
de Itapemirim...
Pena aqui não paga:
não és benjamim.

Aqui, só a inveja,
só ela é sistemática.
Certo é que era o Braga,
Otto: ai de ti!

Vão de lauda em lauda,
vão tintim por tintim:
a cinza enfim purgada
em pira de pasquim.

Pena aqui não paga:
não és – é Benjamin!
Faz-se um ora-veja:
Otto plagiava!

Plagiava? Sim,
vá lá que seja...
Mas, o que mais peja
é tanto bem-haja.




segunda-feira, 22 de agosto de 2016

ESSOUTRA PAVANA

De todas as militâncias
o poeta cata as ânsias;
de tantas infantarias
o poeta cata infantas

mortas, mas sem as pavanas;
quem sabe se com as ânsias
tais infantas não ergueria?
E uma monstruosa infância,

certo Frankestein criança,
de todas as militâncias,
de tantas infantarias,

o poeta vai, alcança,
mas essa feia criança
ainda morre, anta – e se ria.



sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Soneto XII da série "Adonias de volta", do livro "Cacau inventado". Por Roberto Mallet:

Neste elevado, avisto os cacaueiros
subindo longe a Serra Temerosa,
e a ilha que é o charco, pelo avesso;
e a falta, na paisagem, de uma rosa


que há mais de mês me trouxe o que não quero,
embora eu antevisse o aguaceiro:
de chuva – o que precisa a Temerosa;
de choro – o que dissolve rosto e Rosa.

A ilha pelo avesso que era o charco
semelha agora já não ser a ilha,
pois se desdobra em água e terra; e barco

deixa de ser, ao longe, uma novilha.
Sem Rosa, o destemor parece parco:
desaba um cacaueiro pela trilha.