Só quero o que for meu: o caco, o nicho,/lá onde fura a noite a estrela-bicho. ("Culpe o vento".)

domingo, 17 de abril de 2016

RUA JORGE AMADO, Nº 21

Colorir-se de luz rubra
talvez quisesse a onda
revolta no azulejo
inglês do palacete

neoclássico na rua
principal da cidade:
colorir-se de luz rubra
com sua revolta azul

quiçá pintada à mão:
da luz rubra de um vitral
no alto de um janelão.
O vinhático do chão

disputa ao jacarandá
outros modos de marrom;
mas a onda que há no mar
da Bretanha, embora orquídeas

haja no friso de baixo,
o que quer é a luz rubra
no alto, como um facho;
e antes que esta cubra

as curvas de ferro fundido
francês – bandeiras das portas,
a luz rubra sem partido
beija a onda com revoltas.


(de "Cacau Inventado"; Ilhéus: Mondrongo, 2015.)

domingo, 10 de abril de 2016

OS DOUTORES E OS FLAMBOAIÃS

Onde vão esses doutores
com seu andar tão seguro?
Acaso viram as dores,
o sangue que há no muro?

Eles riam, paroleando,
mas do sangue é que eu não curo:
não viram o flamboaiã,
do alto colorindo o muro

com aquelas flores, seus glóbulos
vermelhos, diante, ante
– o flamboaiã florente!

Brancas pétalas, doutos
do sangue, eles antes
flambavam, e ele ardente...

Trad.: W. S.


domingo, 3 de abril de 2016

LES MÉDECINS ET LES FLAMBOYANTS

Où vont les médecins
D’un pas aussi sûr ?
Verront-ils le sang
Qui est sur le mur ?

Ils riaient, ils parlaient,
Mais le sang, ils ne l’ont pas vu :
Ils n’ont pas vu le flamboyant
Qui a coloré le mur

De ses fleurs comme globules
Rouges, devant, avant
     Les fleurs du flamboyant !

Les médecins, pétales blancs,
Jugeaeint savoir du sang
Mais flamboient, quand il brûle...


Wladyslaw Séverin.