Só quero o que for meu: o caco, o nicho,/lá onde fura a noite a estrela-bicho. ("Culpe o vento".)

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

BARRA DE SÃO MIGUEL



O Mal é do outro
lado. O vulto de espuma
é a asa do Anjo

em pugna.
A noite
parece dissolver a Barra

e o voo do Anjo
solta umas plumas
de guardanapos.

Pede o menino
de brincadeira
que a mãe o enterre

ali na areia...
O infanticídio
é do outro lado:

atrás da Barra,
em Petrolina,
onde a menina

morre à peixeira.
Daqui até
ali no Gunga

é essa pugna
de que só vemos
asa de espuma.

Nem há borralho
de caetés;
na água límpida,

saber-se humano
é ser ufano
de ver os pés.


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