Só quero o que for meu: o caco, o nicho,/lá onde fura a noite a estrela-bicho. ("Culpe o vento".)

sábado, 7 de março de 2015

O PAVÃO LILÁS

Ora, a tristeza, este pavão parelho,
veio para mim, que sou de fora.
Luar que vem pousar no meu joelho
com laivos de lilás, de muda aurora.

Lacre do clarim, é um pavão mais velho,
que passa por coruja nesta hora.
Tem exéquias de roxo. Eu o assemelho
aos crepúsculos, ao cacau de agora.

Não é o doge, nem quer se ver no espelho,
vestido só de réquiem, nas inglórias
mortalhas tão sem pompa e sem chavelho.

Pavão vermelho é em Sosígenes Costa.
Eu tenho é dó desse lilás parelho,
sem ter quintal e só mandado embora.


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Do livro inédito "Cacau inventado" (no prelo).



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