Só quero o que for meu: o caco, o nicho,/lá onde fura a noite a estrela-bicho. ("Culpe o vento".)

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

ONDE O VELHO GRAÇA GANHA IMPERDOÁVEL BASTARDO

Certo me ordena cortar mais uns quês,
igual fazia com o seu Ricardo:
um Paulo Honório meu, de quando em vez,
e Madalena minha mãe é fardo.

Outrossim, entrementes – português
sem isso, e revolução? Vírgula e traço.
Urubu é ave” – não perdoa a vez
que Lins do Rego chamou um de pássaro

em Moleque Ricardo. As manchas brancas
(na caatinga) que eram ossadas: guardo
o susto dessa imagem sem pelancas;

mas, sei, não sou nem ave nem Ricardo
pousado nele – a foto sobre a banca –
e não perdoa o meu excesso de bastardo. 

(de "Natal de Herodes".)



Nenhum comentário:

Postar um comentário