Só quero o que for meu: o caco, o nicho,/lá onde fura a noite a estrela-bicho. ("Culpe o vento".)

domingo, 17 de abril de 2016

RUA JORGE AMADO, Nº 21

Colorir-se de luz rubra
talvez quisesse a onda
revolta no azulejo
inglês do palacete

neoclássico na rua
principal da cidade:
colorir-se de luz rubra
com sua revolta azul

quiçá pintada à mão:
da luz rubra de um vitral
no alto de um janelão.
O vinhático do chão

disputa ao jacarandá
outros modos de marrom;
mas a onda que há no mar
da Bretanha, embora orquídeas

haja no friso de baixo,
o que quer é a luz rubra
no alto, como um facho;
e antes que esta cubra

as curvas de ferro fundido
francês – bandeiras das portas,
a luz rubra sem partido
beija a onda com revoltas.


(de "Cacau Inventado"; Ilhéus: Mondrongo, 2015.)

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