Só quero o que for meu: o caco, o nicho,/lá onde fura a noite a estrela-bicho. ("Culpe o vento".)

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

REISADO DA MIRRA

Este o presente pressago
de Baltasar, o rei mago.
Por que o trouxe o rei mouro
e não prata, ou mais ouro?
Por que não preferiu olíbano
– o incenso –, se andara em Líbano
e não Gaspar, que o deu
junto ao ouro caldeu
de Melchior? Traz Baltasar
a mirra que exala no ar
da estrebaria... Louvemos
esse primeiro Nicodemos
que levaria, sem aloés,
a mirra aos pequenos pés
do Menino; e o que diz à mãe?
“Cura a chaga, caso se arranhe
brincando, nosso Menino
dourado e rei, turino.”
Advertiu: “Amarga na boca!”
E ela: “Pois direi – nunca!”
Recomendou: “Perfuma as vestes...”
E ela: “Guardo o que dissestes!”
E se lembraram da birra
que foi para darem a mirra,
quando tiraram a vez
em par ou ímpar, talvez,
pois eram três gorros frígios
querendo trazer fastígios,
quando começou a birra:
“Qual de nós dará a mirra?”
Agora um presente mago
do rei Baltasar, pressago.
Desenho de Felipe Stefani



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