Só quero o que for meu: o caco, o nicho,/lá onde fura a noite a estrela-bicho. ("Culpe o vento".)

domingo, 11 de setembro de 2016

CANÇÃO DA MAIS ALTA TORRE

Juventude lesa,
Em tudo sorvida,
Por delicadeza
Eu perdi-me em vida.
Ah! Que o tempo acene,
De um peito perene.

Disse a mim: despreza
E não queiras público
E sem mais promessa
Do mais alto júbilo.
Razão não te susta,
Retirada augusta.

Eu fui quem não cansa,
Não me esqueço ali:
Ânsia e repugnância
Vão aos céus e fim.
E uma sede infrene
Turva a veia, vem-me.

Pradaria assim
Esquecida, vê
Crescer benjoim,
Joio florescer
Ao bordão agreste
− mil moscas em peste.

Ah! Viuvice tanta,
De alma só, que chora
Ante a imagem santa
De Nossa Senhora!
Mas, vai pedir − quem
A Maria, à Virgem?

Juventude lesa,
Em tudo sorvida,
Por delicadeza
Eu perdi-me em vida.
Ah! Que o tempo acene,
De um peito perene!

 
Rimbaud em Paris e na África, por Felipe Stefani.



















Chanson de la plus haute tour

Oisive jeunesse
A tout asservie,
Par délicatesse
J'ai perdu ma vie.
Ah ! Que le temps vienne
Où les coeurs s'éprennent.

Je me suis dit : laisse,
Et qu'on ne te voie :
Et sans la promesse
De plus hautes joies.
Que rien ne t'arrête,
Auguste retraite.

J'ai tant fait patience
Qu'à jamais j'oublie ;
Craintes et souffrances
Aux cieux sont parties.
Et la soif malsaine
Obscurcit mes veines.

Ainsi la prairie
A l'oubli livrée,
Grandie, et fleurie
D'encens et d'ivraies
Au bourdon farouche
De cent sales mouches.

Ah ! Mille veuvages
De la si pauvre âme
Qui n'a que l'image
De la Notre-Dame !
Est-ce que l'on prie
La Vierge Marie ?

Oisive jeunesse
A tout asservie,
Par délicatesse
J'ai perdu ma vie.
Ah ! Que le temps vienne
Où les coeurs s'éprennent !

RIMBAUD.





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