Só quero o que for meu: o caco, o nicho,/lá onde fura a noite a estrela-bicho. ("Culpe o vento".)

terça-feira, 30 de maio de 2017

RESENHA DE SILVÉRIO DUQUE PARA O "NATAL DE HERODES

"Nas muitas referências que faz ao pai ausente, por exemplo, e mesmo nas muitas faces que lhe empresta, Wladimir transforma essa ausência em uma averiguação que é mais que uma busca por outro; é na busca de si mesmo em todas as personificações que a figura paterna vem recebendo ao longo deste livro; todas se fundem nessa investigação minuciosa. O poeta não procura em outro pai ou família, não se compadece demasiado de si mesmo, muito menos perde tempo sentindo pena de si; é necessário que a orfandade não seja sentida como algo que o assombrará por toda a sua vida, muito menos sentir-se órfão de um fantasma, mas sentir-se mais vivo e certo de um sentido justamente por sentir análoga ausência. A ausência não pode ser razão de morte, mas uma razão para alcançar o que de mais vivo podemos alcançar; algo que transfigura, que em nossa busca nos reconheçamos. "

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