Só quero o que for meu: o caco, o nicho,/lá onde fura a noite a estrela-bicho. ("Culpe o vento".)

segunda-feira, 11 de maio de 2015

SINOS DE DOMINGO, tradução de um poema de Georges Rodenbach


IX

Domingo, esse era o lento dia das jornadas
Pelos cais sonolentos, vastas esplanadas,
Rente a um muro de asilo, a um canal morrente
Onde a neblina, apenas vinda, já se esgarça...

Domingo, ah! Que silêncio! E a alma que se gasta
Na acidulada aragem boreal à frente!
Silêncio do domingo em torno ao Seminário
E silêncio maior: Praça do Arcebispado
Em que um sonido às vezes vinha endomingado
Divagar – sino velho e valetudinário.

Passo curto, lá longe, passavam Beguinas,
Nas embotadas faces, emoções guardadas
Por terem, manhãzinha, sido comungadas,
Felizes, e dizendo o rosário em surdina,
Das Vésperas após, voltando oficiadas.

E entre as chaminés a erma badalada
Se apressava, beguina ela própria, vivendo
Na sua torre, como as outras no convento.
Do céu monja-porteira, com limpel surrado,
No fundo hirto do ar sessando um som de chaves,
Ela então, capengando ao peso do passado,
Ia fazer a ronda, em seus hábitos graves.

Ora, ’inda agora, a badalada é que caminha
E um domingo é sempre esse dia em que escuto
A mais alta campânula d’alma, beguina

Pontual, com acessos de tosse a minutos;
Sim me adverte do céu, do que a missa encomenda
E me asperge seus sons como se de água benta...

 Ouça o carrilhão de Bruges:

















IX

Dimanche, c’était jour de lentes promenades
Par des quais endormis, de vastes esplanades,
Au long d’un mur d’hospice, au long d’un canal mort
Où le brouillard, à peine une heure, se dissipe...

Dimanche, ah! quel silence! Et l’âme qui se fripe
A tout ce petit vent acidulé du nord!
Silence du dimanche autour du Séminaire
Et silence surtout Place de L’Évéché
Où divaguait parfois le bruit endimanché
D’une cloche très vieille et valétudinaire.

Des Béguines, au loin, passaient, hâtant le pas,
Gardant l’émoi sur leurs faces anémiées
D’avoir le matin même été communiées,
Heureuses, et disant des chapelets tout bas,
Tout en s’en revenant des Vèpres terminées.

Et la cloche perdue entre les cheminées
Se dépêchait, béguine elle-même, vivant
Dans sa tour, comme les autres dans leur couvent.
Soeur tourière du ciel en des guimpes fanées,
Semant un bruit de clés au fond de l’air transi
Où, béquillant un peu sous l’amas des années,
Elle faisait sa ronde, en robe noire aussi...

Or, depuis lors, la cloche est celle qui chemine;
Et toujours le dimanche est un jour où j’entends
Une cloche au-dessus de mon âme, béguine

Ponctuelle, aux accès de toux intermittents,
Oui m’avertit du ciel et que la messe est dite
Et m’égoutte ses sons comme de l’eau bénite... 

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