Só quero o que for meu: o caco, o nicho,/lá onde fura a noite a estrela-bicho. ("Culpe o vento".)

sábado, 2 de março de 2013

Série Resenhas # 1: "Mormaço" (poesia, 2011)


Com Mormaço (ou "Calima", em espanhol), ainda inédito no Brasil, fecha-se o conjunto da obra de Lêdo Ivo (1924-2012), conjunto até então indefinidamente aberto, desde que, em 1944, um jovem alagoano, recém-chegado ao Rio de Janeiro para estudar Direito, publicara As imaginações, a que logo se seguiram dois romances, alguns ensaios e mais sete livros de poesia, até o final da mesma década. Aos poucos, o pai, o advogado Floriano Ivo, que de Maceió lhe pedia por carta notícias sobre recursos interpostos nos tribunais superiores (então com sedes no Rio), ia se acostumando ao caminho abraçado pelo filho poeta, embora às vezes com certo desagradado, por saber pelos jornais ou por terceiros dos lançamentos, dada a demora dos correios.

Sessenta anos depois de As imaginações, ao lançar a sua Poesia Completa, em 2004, Lêdo Ivo ainda publicaria Réquiem (poesia), O ajudante de mentiroso (ensaio), E agora adeus (correspondência passiva),O vento do mar (seleta de prosa e poesia) e Alagoa australis (seleta de poesia com temas alagoanos), traindo reiteradamente o título do alentado volume de quase 1.100 páginas, o que apenas confirma os versos dedicados ao pai, em Justificação do poeta, poema do livro primeiro: “Pai, meus pensamentos não cabem na tua sala com piano tranquilo a um lado e escuras cadeiras vazias perto da janela”. E por causa de coisas desse tipo, Sérgio Buarque de Holanda diria que aquele jovem era um poeta “de versos longos e nome curto”, em uma geração de “nomes longos e versos curtos”.
(...)

Leia o texto completo no site do Jornal Rascunho:
A morte solar de Lêdo Ivo

Nenhum comentário:

Postar um comentário